3º SECTOR_RSE

Divulgação e troca de ideias sobre a captação de recursos das entidades sem fins lucrativos através da responsabilidade social das empresas.

domingo, junho 14, 2015

Tese de Licenciatura e Prémio Silva Leal 2001





ESCALADA PARA A INCLUSÃO: Olhar sociológico sobre a intervenção de um actor local no combate à exclusão social juvenil
Susana Rosa
ISCTE

O sistema de protecção social em Portugal tem vindo a ser confrontado com uma conjuntura desfavorável, de alterações sociais e económicas que questionam a sua capacidade de resposta. Tem-se verificado um aumento da população excluída, económica e socialmente, dependente da solidariedade. A protecção social é pressionada por uma lógica de desenvolvimento económico assente na assimetria e desfavorecimento de regiões, geradora de desigualdades, por um lado e, por outro, pela tendência de evolução da população, que faz depender um cada vez maior número de beneficiários de um proporcionalmente muito menor contingente de activos, com carreiras contributivas cada vez mais curtas, suportadas por um emprego tendencialmente precário.
A previsível limitação da continuidade deste esforço e a inevitabilidade da existência de amplos sectores de população deficientemente cobertos pela protecção social, tem levado à discussão da remodelação do sistema em vigor, assim como do papel do estado, no novo desenho a definir.
Este estudo teve por base a observação participante realizada numa IPSS, representativa do papel da iniciativa local no desagravamento das assimetrias dentro de um contexto particularmente problemático, incidindo a sua principal actividade na inserção de jovens excluídos. E porque a exclusão se combate reinvertendo as estruturas que a proporcionam, é através do desenvolvimento local e da iniciativa dos cidadãos, quer no desenvolvimento económico, quer na reinvenção da protecção social, numa lógica de contra-hegemonização e sob supervisão do poder central, que se poderá alcançar um estado-providência mais actuante e uma sociedade mais inclusiva.

Resumo: Tendo como referência uma IPSS em Setúbal, desenvolve-se uma reflexão sobre a protecção social em Portugal e a importância dos actores locais na reconversão da exclusão social. O papel do Estado, que idealmente seria um Estado-Providência, na impossibilidade de sustentar as competências inerentes, transformou-se num papel de parceiro financiador das organizações da sociedade civil para as quais transferiu as suas responsabilidades em matéria de protecção social. No entanto, a sua participação
que deveria complementar as receitas dessas instituições, acaba por, na maioria, ser a única fonte de financiamento. Com dificuldades em angariar outros financiamentos, esta sociedade-providência exerce a sua actividade com variadas lacunas, o que se reflecte na precariedade da protecção social em Portugal.

 

domingo, maio 27, 2007

Fundos para voluntariado, voluntariado para cooperação

O ISU- Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária desenvolve desde há cerca de dez anos um programa de voluntariado em África que envia jovens universitários durante dois meses para apoiar projectos dos seus parceiros locais, em países como Guiné e Cabo Verde, entre outros.


O âmbito dos projectos passa por áreas como a formação de professores em áreas específicas, empowerment de mulheres, apoio ao micro-crédito, intervenção com crianças, sensibilização para questões de saúde, entre outras. No saldo final, ganham tanto as populações abrangidas pelos projectos como os próprios voluntários, que trazem na bagagem imagens e experiências que nunca mais vão esquecer.

Esta iniciativa conta com uma angariação de fundos bastante intensa, que decorre essencialmente nos meses de Abril a Julho e que tem como objectivo conseguir cerca de 30.000€ para financiar a viagem e estadia dos voluntários. Para tal, recorre-se à divulgação do projecto, organização de eventos, bancas de vendas com o apoio dos próprios voluntários.

Aqui fica uma iniciativa interessante na forma empenhada de exercer educação para o desenvolvimento. http://nodjuntamon.blogspot.com

quinta-feira, março 01, 2007

O Terceiro Sector e a Responsabilidade Social - Workshop

O Grupo Terceiro Sector para a Responsabilidade Social (Factor III) e a APEE irão realizar um Workshop dedicado ao Terceiro Sector, no dia 19 de Março no CCB, às 10h30, no âmbito da Semana da Responsabilidade Social.

O Terceiro Sector enquanto Actor de Responsabilidade Social - Implicações Práticas

10h30 – 10h40
Apresentação do Grupo Terceiro Sector para a Responsabilidade Social
10h40 – 10h55
Ética nas Organizações – Referencial de Ética para as IPSS
Dr. António Martins - Elo Social
10h55 – 11h10
A Sustentabilidade Económica no Terceiro Sector -
APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil
11h10 – 11h25
A Sustentabilidade Social no Terceiro Sector-
Fundação Aga Khan
11h25 – 11h40
A Sustentabilidade Ambiental no Terceiro Sector-
Quercus
11h40 – 13h00
Atelier “Na senda da Responsabilidade Social”

Inscrições até 12 de Março/25€

Na ficha de inscrição o participante é convidado a lançar dúvidas/ questões sobre a RS e o Terceiro Sector a serem respondidas nesta sessão.

Durante os restantes dias irão ainda decorrer workshops dedicados a outras partes interessadas (stakeholders) como a indústria, o governo, os sindicatos, serviços e investigação e consumidores, para além de sessões paralelas. Livre trânsito 250€.

http://www.apee.pt/page.php?ID=1097

Inscrições Vera Pinto Maria João Rodrigues
E-mail verapinto@apee.pt
Tel. +351 213 146 182
Fax +351 213 147 201

terça-feira, fevereiro 20, 2007

CHAPITÔ - 25 anos a fazer rir jovens desfavorecidos

Todos conhecemos o caso do Chapitô e da sua figura de proa, Teresa Ricou. De tão familiar, esta iniciativa da sociedade civil acaba esquecida das lides do terceiro sector, talvez injustamente ou talvez porque já conquistou uma posição de destaque e um reconhecimento institucional que lhe permitem caminhar por si. De qualquer forma, é um exemplo a ter presente.

Um dos aspectos mais significativos no Chapitô, do meu ponto de vista, é o facto de inserir jovens desfavorecidos através de uma formação atípica, em artes circenses e não das tradicionais saídas profissionais de carpinteiro de limpos, pedreiro ou jardineiro que, tão dignas como todas as outras, têm no entanto o inconveniente de serem pouco aliciantes para os jovens. A intervenção social desenhada numa área periférica, de risco, tal como as vidas a quem se destina, tem uma forte probabilidade de adesão por parte dos seus públicos-alvo, assim como a potencialidade de estes futuros profissionais conseguirem vingar.

Essa projecção para o mercado de trabalho, alimenta outra particularidade do projecto, a sua estruturação. O envolvimento das três vertentes: acção social, formação e cultura, num círculo virtuoso contribuem para a continuidade e sustentabilidade do projecto. "O departamento [de Produção] insere-se no modelo de Economia Social praticado pelo Chapitô cruzando as áreas de Formação, Cultura e Acção Social: as receitas geradas revertem directamente para o financiamento de acções realizadas na Área Social e funciona como plataforma para os jovens diplomados pela Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo, assegurando a sua inserção no mercado de trabalho." Outra entrada de receitas são o restaurante e bar. "Com uma vista deslumbrante sobre o Tejo e a cidade de Lisboa, Restô, é a oportunidade de viajar, levado pelos aromas e os sabores de uma cozinha multi-étnica. Como pólo cultural da cidade de Lisboa, o Bar do Chapitô é um espaço aberto às artes, com uma programação variada ao longo da semana: desde música ao vivo, com destaque para o jazz, ciclos de cinema, projecções de vídeo, espectáculos de teatro e dança, a conferências e debates sobre temas da actualidade. O Bartô, é também um espaço privilegiado para tertúlias, lançamentos de livros e projectos editoriais, exposições e instalações."

Estando a formação ao abrigo do Ministério da Educação, enquanto Escola Profissional desde 1991, a maior lacuna ao nível dos financiamentos verifica-se nos muitos jovens institucionalizados em Centros Educativos, que se confrontam com grandes dificuldades quando, aos 17/18 anos, atingem a idade que os coloca legalmente fora do âmbito destas instituições. Nestas circunstâncias, não são poucos os que batem à porta do Chapitô. Para esta vertente da acção social o Chapitô foi um dos beneficiários do leilão resultante da Cow Parade, em 2006. Conseguiu-se recuperar e remodelar instalações que hoje servem de residência temporária a 10 destes jovens em transição. "Promover a autonomia do jovem, estimulá-lo para a construção do seu projecto de vida e ajudá-lo concretamente na superação dos obstáculos com que se depara, são os objectivos deste projecto."

Esta necessidade foi consequência da intervenção realizada pela Animação em Acção: um grupo de animadores/formadores e técnicos que assegura, nos Centros Educativos da Bela Vista e Navarro de Paiva ateliers de circo, capoeira, “faz-tudo”, jogos, etc. bem como a animação de festas e espectáculos e ainda a realização de saídas – culturais e recreativas incluindo a redacção de um jornal, num protocolo que se desenvolve desde 1987 com o Ministério da Justiça.

Também as crianças são um dos destinatários. O Centro de acolhimento infantil garante a guarda de menores até aos 12 anos durante o dia, serviço que é complementado com os ateliers infantis de circo e capoeira que decorrem ao fim da tarde para os maiores de seis. Os adultos têm a partir das 19 horas cursos variados como capoeira, malabarismo, sapateado, caracterização, expressão dramática e técnicas circenses.

As parcerias estratégicas são uma constante. 60% do orçamento anual da organização provém de financiamentos públicos, 35% de receitas próprias e 5% de mecenato e donativos. Ao Expresso, de 4 de Novembro 2006, Teresa Ricou dizia: «As instituições estão ancoradas em nós. Como prestamos serviço público, a Justiça, a Educação, a Cultura, a Segurança Social, o Instituto da Juventude e o Instituto de Emprego e Formação Profissional têm de estar aqui.» No entanto, em relação ao Chapitô Rio, o projecto cuja inauguração se prevê para o fim do ano, não adianta informações. 200 milhões de euros para um espaço adaptado a outras artes, de âmbito musical, como o rock, sustentado na mesma fórmula tripla (acção social, formação, cultura) podem justificar a presença da Super Bock no rol dos apoios presentes no site da organização (aliás, a única empresa a figurar, apesar de outras como a PT e a Vodafone fazerem alusão a parcerias com o Chapitô nos seus sites). http://www.chapito.org/

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Al Gore em Portugal

O autor da publicação, An Inconvenient Truth virá a Portugal no próximo dia 8 de Fevereiro, a convite da Cunha Vaz e Associados e com o apoio da CGD, EDP, CML e Lexus falar sobre alterações climáticas. A conferência decorrerá no Museu da Electricidade mas ao que parece deverá ter acesso (muito) restrito já que não se comunica esse aspecto do evento nos sites dos envolvidos, nem junto dos media.

Al Gore, cujo cachet se eleva aos 175.000€, exigiu ser transportado num carro híbrido e poderá ainda ser ouvido e interpelado no nosso país um mês depois, a 7 de Março no 3º Forum Comércio Moderno, no Centro de Congressos do Estoril onde decorrem 2 dias de Debate sobre Ambiente Consumo e Marcas, promovido pela APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição). Apressem-se os interessados porque as inscrições para os dois dias (7 e 8) ficam por 900€ para não sócios até ao Dia dos Namorados, passando depois a 1200€.

II Prémio Cidadania (ainda) recebe inscrições

Estão abertas até ao dia 16 de Fevereiro de 2007 inscrições para o Prémio Cidadania das Empresas e das Organizações, uma iniciativa da Price e AESE com a parceria da EXAME.
A primeira edição premiou em Maio de 2006 o Banco Alimentar Contra a Fome como melhor ONG e a EDP como melhor empresa/ melhor ambiente. O BCP recebeu o galardão de desempenho social e a PT o prémio de vertente económica.
"Entenda-se por cidadania empresarial e organizacional, o exercício de um vasto conjunto de direitos e deveres que visam possibilitar aos vários stakeholders o seu pleno desenvolvimento através do alcance de uma igual dignidade social e económica, respeitando o ambiente. O prémio pretende reconhecer as empresas e ONGs mais bem sucedidas na aplicação das suas políticas de responsabilidade social, nas componentes: económica, social e ambiental, simultaneamente. Premiar as ONG’s, mais do que reconhecer o seu empenho na aplicação de medidas efectivas, pretende ajudar na melhoria de implementação das mesmas. A atribuição do prémio é feita através da avaliação de um questionário, desenvolvido com o apoio metodológico da SAM , a preencher pelas empresas e pelas ONG's." in http://www.premiocidadania.com/?q=C/-/9

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RSE ou RSO?

Sobre a discussão existencial à volta do conceito, capaz de dividir as hordas transversalmente desde o popular até ao académico, discussão que debate se se deve falar de Responsabilidade Social das Empresas ou de Responsabilidade Social das Organizações, venho deixar o meu modesto contributo.
Oh meus amigos: não soa sempre estranho dizer «subir para cima», «tenho um amigo meu» ou «ambos os dois»? Da mesma maneira, porque não falar da Responsabilidade Económica das Empresas? Porque é uma redundância? Um pleonasmo? Uma expressão vazia?

Será por isso que se fala da Responsabilidade Social das Empresas? Por ser uma dimensão menos implícita dentro do sector e mais negligenciada do que outras, como a económica? Por ser uma dimensão a destacar e a incrementar?
Se assim for, que sentido faz falar na Responsabilidade Social das Organizações? De que Organizações? Normalmente nesta expressão englobam-se os três sectores (Estado, Mercado e Terceiro Sector), mas muitas vezes o termo «Organizações» é usado como sinónimo de «entidades/organizações sem fins lucrativos» e de carácter solidário.
Pensando que a expressão «Responsabilidade Social das Empresas» (que implica o triple bottom line, ou seja o equilíbrio das dimensões económica, ambiental e social) é alargada para abarcar não só as empresas, mas os três sectores da sociedade acima mencionados, ficamos com uma expressão que de tão abrangente, acaba por não dizer nada (ou como dizia alguém, «e tudo, e tudo e tudo»- muito expressivo)!
Ou seja, será que o que está implícito na expressão RSO é que todos temos de fazer tudo por um mundo melhor? Para além de vago e megalómano, parece-me pouco operacional. Mais, soa-me a algo dogmático e doutrinizador. De tão etéro, o conceito acabará por remeter para a legislação e perverter o âmbito voluntário do movimento da Responsabilidade Social das Empresas.
Por outro lado, compreendo na expressão RSO a crítica ímplicita à conduta do Estado e do Sector Solidário nos aspectos financeiro e de gestão de recursos humanos. Mas se são esses aspectos que se pretendem designar, ou se procura na riqueza da língua portuguesa outra expressão que, por exemplo, passe pelo adjectivo «sustentável», muito mais amplo, integrador e menos antropocêntrico do que o «social» (que semânticamente não abarca a dimensão ambiental) ou se distinguem as definições das duas expressões, que apesar de idênticas, não têem explicações «clonáveis».

sábado, dezembro 23, 2006

“Mãe, faz-me uma escola!” – O trabalho de Hércules da Raríssimas


Às vezes é preciso ter cuidado com o que se pede a certas pessoas. Foi o caso do pedido que Paula Costa recebeu do seu filho Marco. É que há pedidos que não se recusam, ainda que seja preciso volver céus e terra.

Ao Marco foi-lhe detectado o Síndrome Cornelia de Lange. Uma doença rara que, como muitas outras lida com um desconhecimento generalizado e um diagnóstico dificil. Marco apresentava um défice cognitivo e de aprendizagem e várias anomalias a nível interno.

Aos pais de crianças especiais é-lhes imposta uma capacidade sobrehumana de lidar com a especificidade dos seus filhos. Logo à partida com o confronto com uma sociedade cada vez mais normalizadora. Depois com toda uma desadequação de serviços, desde educativos, a de saúde, passando pelos enquadramentos legais às problemáticas apresentadas. Quando essas problemáticas são, ainda por cima, desconhecidas, o esforço para superar os obstáculos é tanto maior. A dúvida se os profissionais sabem o que é melhor para eles, se está nas melhores mãos, ou pelo menos nas mãos de quem sabe do que se trata. Foi nesta vertente que a Raríssimas se constituiu inicialmente, uma plataforma de articulação com médicos especialistas em doenças raras, a quem os pais podiam recorrer, à semelhança do que existe noutros países.

Daí até ao projecto da Casa dos Marcos foi um passo. Para uma mãe destas, o empreendimento de construir uma «escola» para os portadores de doenças mentais e raras, que rapidamente se converteu num projecto pioneiro a nível mundial e com investimento inicial de 3,5 milhões de euros, é tarefa passível de ser concretizada. Porque não?

Porque não, se se consegue ultrapassar diariamente condicionantes profissionais face à necessidade de providenciar acompanhamento ao médico, às terapias, se se consegue gerir um orçamento familiar com estas vicissitudes e substituir a assistência que as instituições mais vocacionadas não prestam? Porque não, se são forçados a ser super-homens e super-mulheres constantemente?

A Casa dos Marcos está prestes a ver lançada a sua primeira pedra, um projecto que combina um Centro de Actividades Ocupacionais com fisioterapia, residência para cerca de 25 utentes e lugar de internato para outros 20. E se no fim de 2005 pensar em angariar 600 mil euros era uma tarefa gigantesca, no fim de 2006 a quantia aumentou quase seis vezes. Mas a solução é fácil: se Portugal tem 10 milhões de habitantes e cada habitante der um euro, angariam-se 10 milhões de euros que são suficientes para a construção e manutenção da estrutura durante três anos. Simples! E o dia para a materialização do sonho está marcado: 16 de Fevereiro, dia em que o Marco faria 19 anos.

Paula Costa, Presidente da Raríssimas é a mãe coragem que enverga esta missão. E se, quando o filho lhe fez o pedido não pôde senão encará-lo de frente, um ano após o seu desaparecimento a forma que encontrou de continuar com a sua energia, dinamismo, capacidade empreendedora e alegria de viver foi a lutar para concretizar o seu desejo, que é o desejo de milhares de outras crianças e jovens que lidam com as lacunas de um mundo que não foi feito para eles.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Feira de Solidariedade na FIL

De 2 a 10 de Dezembro decorre a Natalis - Feira de Natal e da Solidariedade de Lisboa. O preço da entrada é de apenas 1 EURO, e todo o dinheiro dessas entradas vai para beneficiência, ou seja, a receita de bilheteira reverterá, na íntegra, a favor das Organizações de Solidariedade Social presentes na Natalis.
Desde a gastronomia típica da época, até aos presentes mais excepcionais, passando pela decoração, poderá fazer excelentes compras, num só espaço. www.natalis.fil.pt/.

Forum RSO, uma espécie em vias de extinção?

O.K., tenho evitado comentários mais negativos por estas bandas mas tenho a dizer que, sem ter estado no primeiro, o II Forum RSO me pareceu, face ao que vi neste e ao que pude aceder no anterior, muito aquém da primeira iniciativa.

Foram preços elevadíssimos para participantes, para condições pouco comuns (auditório em aberto, péssima iluminação), em que se explorou demasiado o formato de painel atribuído à responsabilidade dos actores (que são os mesmos que têm feito este tipo de eventos ao longo do ano de forma gratuita).
Resultado: não se disse nada de muito novo (para quem já tem visto dois ou três encontros destes), não teve a amplitude do primeiro, não justificou o montante dispendido (até porque me pareceu que havia quem entrasse para a exposição e acabasse por assistir ao Forum sem ter pago). Valeu pela exposição sobre sustentabilidade e porque vale sempre a pena assistir, mas não correspondeu às expectativas e não compensou, definitivamente, o custo da entrada.

Angariação de Fundos como Departamento

(Continuação do post anterior...)

Mas como se não bastasse, viro a esquina e... pasme-se: esbarro com uma ONG com Departamento de Angariação de Fundos!!! Em pleno Portugal?!?
OK, a Amnistia Internacional, como o próprio nome indica, tem influências fortes de realidades externas... Mas assim onde é que vamos parar?
Agora a sério, é uma lufada de ar fresco aceder a estas informações e perceber a nossa capacidade de reagir, numa área/oportunidade cujo silêncio ensurdecedor «gritava» para que a explorassem.

quarta-feira, novembro 15, 2006

ENTRAJUDA

De súbito apercebemos-nos de que as coisas estão mesmo a mudar. Para além da nossa existência e da capacidade que temos de interferir na realidade.
Elas já eram um bom punhado de instituições que insistiam em me entrar pelos olhos dentro quanto à sua postura inovadora de captação de recursos (Raríssimas, Fundação do Gil, ACAPO, etc). Então, no espaço de uma semana, apercebo-me de novas entradas (pelo menos para mim) totalmente inovadoras.

A Entrajuda é uma experiência que surgiu em 2004!!(Espanto!!) E é tudo o que gostávamos de ver aparecer e não tínhamos coragem de pensar. Uma plataforma de articulação entre empresas e terceiro sector. Fantástico.

Não, não é mais uma consultora. É «apenas» uma plataforma de recepção de pedidos de instituições necessitadas e ofertas de empresas doadoras. Tudo numa base de voluntariado. E tem um plano de formação invejável, administrada gratuitamente aos beneficiários pelas empresas/ consultoras aderentes. Ao se inscrever, a organização beneficiária recebe um tutor, que fará o diagnóstico de necessidades e posteriormente a articulação com as empresas que as poderão prover. A ideia é excelente, esperemos que a prática também.

quinta-feira, outubro 12, 2006

mecenatonet - o ovo de colombo

O Mecenatonet é um projecto de gestão, divulgação e angariação de donativos que irá funcionar através de uma plataforma inovadora e privilegiada: o site mecenato.sapo.pt. Este espaço actuará como intermediário entre Beneficiários e potenciais Mecenas, facilitando a comunicação, informação e interacção entre os mesmos. Através do site, pessoas singulares ou Instituições poderão atribuir donativos a projectos seleccionados de Entidades Beneficiárias, e acompanhar a evolução da actividade ou entidade para a qual efectuem esse donativo. Recebem, como garantia de segurança, um recibo referente ao donativo atribuído para obtenção dos respectivos benefícios fiscais.
Pretende-se também que cada utilizador, ao entrar no site, encontre todas as informações relevantes para o envolvimento eficaz e seguro na navegação, podendo os Mecenas inclusivamente realizar simulações com vista a apurar os benefícios fiscais decorrentes de qualquer donativo que pretendam efectuar, antes de concretizar as contribuições reais para áreas do seu interesse.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Cow Parade e a Captação de Recursos para ONG


Uma iniciativa original na área da captação de recursos para entidades sem fins lucrativos e que não teve a divulgação deste aspecto devidamente realizada é a Cow Parade.

Poucos sabiam que o lucro resultante do leilão das vacas que várias empresas, instituições e particulares decoraram reverterá para instituições de solidariedade social como a ACAPO, AMI, APAV, Chapitô, Cruz Vermelha Portuguesa, Espaço T, Escoteiros de Portugal e Liga dos Bombeiros Portugueses, para além da SIC Esperança que apoiará projectos na área do ambiente.

Por detrás desta iniciativa está o projecto mecenato.net que conseguiu angariar 420.600€ com o leilão realizado no último dia de Setembro. O objectivo vital do projecto é agilizar a prática do Mecenato em Portugal, facilitando a comunicação entre os possíveis financiadores e as Entidades Beneficiárias. Dinamizar passa por disponibilizar o acesso ao Mecenato a todos os públicos, contribuindo para a evolução e financiamento de projectos reconhecidos como sendo de "superior interesse" em áreas como: a Cultura, a Sociedade, o Ambiente, a Investigação Científica e Tecnológica ou o Desporto. É prioritária a sensibilização da comunidade portuguesa para as carências existentes nestes sectores da sociedade, com a intenção de generalizar e despertar o interesse de beneficiários ou mecenas destas iniciativas, através na informação das contrapartidas adjacentes ao fomento da prática, descritas na Lei do Mecenato.
Apesar de ser mencionado que "a aprovação e selecção das Entidades Beneficiárias é feita através de uma avaliação minuciosa, tutelada com a colaboração próxima dos Ministérios, e ao abrigo da Lei do Mecenato" fica por perceber o processo que levou à selecção das entidades mencionadas, assim como os montantes que serão dispensados a cada uma.

2º Forum de RSO em Novembro

Vai decorrer entre 8 e 12 de Novembro na FIL (Parque das Nações) o 2º Forum de Responsabilidade Social das Organizações.

"O Fórum RSO é um espaço para a reflexão e debate sobre as múltiplas vertentes da gestão socialmente responsável e sobre os desafios que se colocam na construção de uma sociedade sustentável." Paralelamente ao Fórum RSO, irá decorrer a primeira exposição interactiva sobre o Desenvolvimento Sustentável, concebida pela Sair da Casca, onde as empresas terão a oportunidade de mostrar e apresentar publicamente as suas políticas, acções concretas e o seu desempenho em prol da sustentabilidade. Através de várias actividades lúdicas e dinâmicas, o visitante poderá descobrir os "gestos que fazem a diferença" e avaliar os impactos dos seus modos de consumo. Esta exposição é dirigida a todos os participantes do Fórum RSO, aos colaboradores das empresas e aos estudantes dos ensinos secundário e universitário.

Reunindo um consenso alargado de instituições apoiantes, o evento é, a ver pelo ano passado, eventualmente o mais eclético nas temáticas abordadas, tendo um âmbito menos empresarial do que outros eventos que se têem realizado com perfil idêntico.

terça-feira, junho 06, 2006

Rock in Rio Lisboa - Projecto Social "Por um Mundo Melhor"

Poucos têm conhecimento do projecto social por trás do Rock in Rio (RiR). A marca brasileira do maior festival de música do mundo, com cinco edições realizadas, duas em Lisboa, acabou a última no dia 4 de Junho. Do seu projecto "Por um mundo melhor" constaram a abertura de dez salas de estimulação sensorial para crianças em todo o país, cinco atribuídas à ACAPO para crianças invisuais e amblíopes e as outras cinco atribuídas a crianças com deficiência mental e stress pós-traumático de várias CERCIs.

Tendo Scolari como embaixador e a SIC Esperança (Mercedes Balsemão) como entidade parceira responsável pela selecção das instituições, implementação e acompanhamento do projecto, foram beneficiados os projectos "Crescer Sentindo" da ACAPO e "Snoloezelen" das Cercis de Pombal, Caldas da Rainha, Fafe, Corroios e Macedo de Cavaleiros. As salas foram inauguradas antes do Festival começar, mediante um adiantamento de 150 mil euros entregue pela Better World, produtora do evento e pela BP, patrocinadora social dos eventos de 2004 e 2006. Como empresa promotora de várias grandes empresas, entre as quais o Millenium BCP, a Better World produz outras campanhas para além do RiR, como a da árvore de Natal no Terreiro do Paço e o Festival de Cinema Optimus Open Air.
O benefício das comunidades que mais directamente são envolvidas no evento também foi considerado. Os moradores no Parque da Bela Vista, em Chelas tiveram direito a bilhetes para os concertos, sessões de formação em informática e livre-trânsito, para circularem com os automóveis.
Para que menos de meia dúzia de dias de música decorram da melhor maneira, a organização leva cerca de ano e meio em contactos. Daí que já esteja definido que em 2008 haverá nova edição em Lisboa, desta vez com um dos dias em simultâneo com outro país onde existam delegações do Millenium BCP. As hipóteses são Polónia, Grécia, Turquia, França, Luxemburgo, Moçambique, EUA e Canadá.
Tendo recebido em 2004 o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, através da Campanha "Teams to End Poverty", o RiR pôde doar mais de 660 mil euros para crianças de 45 países em vias de desenvolvimento através do trabalho da Plan International-Chilreach. Em Portugal, também pela mediação da SIC Esperança, os números apontam para 2700 crianças beneficiadas em todo o país.
Para além do aspecto social, a parte ambiental também foi tida em consideração sob o lema "Carbono Zero". Todas as emissões de carbono dispendidas com o Festival de 2006 foram contabilizadas por auditores. Isto comporta todas as deslocações de preparação à volta do mundo, todas as deslocações de avião dos artistas participantes (equivalentes a 114 viagens à volta do mundo) e todas as deslocações das 380 mil pessoas que constituíram o público durante os dias em que decorreu o evento (só as deslocações de carro equivalem a sete viagens à Lua). Feitas as contas, os valores astronómicos de emissão de carbono a que se chegou serão compensados com a plantação de 15.000 árvores, número que irá permitir reduzir essa emissão. Qualquer área florestal na zona da Grande Lisboa poderia candidatar o seu espaço à plantação de espécies autócnes, desde que o seu proprietário se comprometesse a zelar pela sua manutenção. As candidaturas seleccionadas serão reveladas dia 12 de Julho de 2006, com a apresentação da Floresta Rock in Rio Lisboa Por um Clima Melhor.

sábado, maio 20, 2006

RSO e os seus projectos

Foi com satisfação que constatei recentemente a existência de algumas consultoras orientadas para apetrechar o 3º sector com inputs que contribuam para a sua sustentabilidade.
A RSO é um caso de destaque, com um currículo que apresenta projectos do conhecimento geral, sendo o da Microsoft no Vale do Ave um dos de maior projecção. O CITEVE (Centro Tecnológico da Indústria Têxtil e do Vestuário) foi o beneficiário em Portugal do Programa "Potencial Ilimitado" da Microsoft, que visa dotar de capacidades tecnológicas básicas e formação profissional comunidades desfavorecidas em todo o mundo, constituindo Centros Tecnológicos Comunitários que já permitiram 126 organizações não lucrativas abrir mais de 36000 centros em 64 países, ascendendo a mais de 15 milhões de beneficiários. Em Portugal, os objectivos apontam para 3500 desempregados em formação, durante cerca de três anos, com conteúdos que vão das TIC a sessões específicas de motivação para o emprego e divulgação de mecanismos de inserção profissional. A seguir a Vila Nova de Famalicão (primeiro centro) estão mais três previstos (Guimarães, Covilhã e em local a designar).
Outras entidades parceiras da RSO são a CAIS, a INDE, a Oikos e a Promosocial (associada à Fundação do Gil), para citar alguns exemplos.

sexta-feira, maio 19, 2006

Devagar se vai ao longe_ Workshop ONG's e RSE

Parece que já começa a haver alguma movimentação nesta área entre nós. Entre 15 e 18 de Maio decorreu a Semana da Responsabilidade Social na AIP, em Lisboa, promovida pela Associação Portuguesa de Ética Empresarial.
O evento encerrou com uma workshop acerca das ONG, enquanto um dos stakeholder na responsabilidade social, no seguimento de outras workshops anteriores. Depois da intervenção do Presidente do Instituto Ethos, a mesa de encerramento, presidida pelo presidente da APEE, contava com as presenças da Grace, Abraço e Oikos. Do debate que se gerou saíram algumas pistas importantes de trabalho futuro, numa base de parceria. Esperemos que sejam profícuas.

segunda-feira, maio 01, 2006

RSE na UE- de boas intenções....

Uma recente posição da União Europeia acerca da Responsabilidade Social das Empresas veio criar uma Aliança para a RSE, em conjunto com empresários. “It recognizes the primacy of business as the primary actors in corporate social responsibility, while acknowledging the supportive role public authorities can play in facilitating an open and constructive dialogue between business, employers, trade unions and civil society organisations.” (Ethical Corporation, Abril 2006, From the European Commission- Corporate social responsibility: the european perspective, p.14).
Esta posição foi criticada pelo representante de uma das ONG que desenvolveram um longo processo de debate em relação à intervenção dos stakeholders na responsabilidade social das empresas. O "European Multi-stakeholder Forum on Corporate Social Responsibility", visava alcançar um entendimento comum entre stakeholders e preparar o terreno para uma rede de trabalho europeia para a responsabilidade social das empresas. Tendo decorrido durante dois anos, terminou em 2004. As ONG investiram tempo e recursos neste projecto na crença da necessidade urgente de aumentar os impactos positivos e reduzir os negativos na sociedade e no ambiente, reconhecendo a importância do papel da UE neste processo. Após 1 ano e meio de silêncio “the EU has made a giant leap back in time. The experience over the past decade shows that involvement of relevant stakeholders from the early stage of strategy development is essential for the effectiveness and credibility of corporate social responsibility. The EU has obviously rejected this experience when drafting the alliance with business representatives.” (Oldenziel, Joris in Ethical Corporation, Abril 2006, From SOMO- Centre for Research on Multinational Corporations, European Commission abandons multi-stakeholder approach in CSR, p.15).
Na base desta tomada de posição pode ter estado a defesa de medidas reguladoras por parte das ONG para "complementar as muitas iniciativas voluntárias que só funcionam para os bem intencionados" (idem). Como há males que vêem por bem, na sequência desta tomada de posição por parte da UE as ONG encontram-se a criar uma estrutura europeia das ONG para a responsabilidade social, algo que era importante existir enquanto lobby do sector até a níveis mais micro (nacionais).

Captadores de Recursos como Saída Profissional nas ONGs do Brasil

Descrição: Greenpeace Brasil é uma organização ambientalista, pacifista, independente que faz campanhas para expôr problemas e propôr soluções essenciais a um futuro pacífico e sustentável.
ASSESSOR DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS: Identificar oportunidades de doações de grande e médio porte, criando relacionamento com potenciais doadores, sendo eles pessoas físicas ou fundações. Além disso, também é da responsabilidade do Assistente de Captação de Recursos o relacionamento com VIPs e celebridades garantindo seu constante vínculo com o Greenpeace.
Principais Atividades: - Em conjunto com a Diretora de Marketing e Fundos, estabelecer metas e a estratégia de captação de recursos através deste canal- Pesquisa, prospecção e elaboração de base de dados de potenciais médios e grandes doadores;- Manutenção do relacionamento com novos e actuais doadores, fornecendo informações e garantindo seu comprometimento com o Greenpeace;- Elaboração em conjunto com agência especializada materiais de abordagem e relacionamento para o programa de doadores de médio porte;- Identificação de potenciais fundações e criar uma base de dados;- Elaboração projetos para captação de recursos junto a fundações em acordo com os objetivos e estratégias das campanhas da organização;- Apresentação de resultados obtidos com os projetos para os doadores, a fim de manter a credibilidade dos recursos investidos;- Manutenção do relacionamento com novas e actuais celebridades, fornecendo informações e garantindo seu comprometimento com o Greenpeace;- Estabelecimento, junto com a Directoria, de uma estratégia de conversão desses apoiadores em médio e grandes doadores. Pré Requisitos: Formação Superior Completa - Universitário Completo em Marketing, Jornalismo; Experiência anterior em elaboração de projetos; Excelente redação em português e inglês; Domínio de informática.
Os interessados na vaga, que atendam todos os pré requisitos, devem enviar seu cv para o email Suzana.Kubric@br.greenpeace.org com o titulo do cargo no assunto.
GERENTE DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS PARA TRABALHAR EM SÃO PAULO
Descricão: A Associação Habitat para a Humanidade Brasil, com sede em Recife (PE), selecciona dois profissionais acima especificados, para atuar no seu escritório em São Paulo. O Gerente da Área de Mobilização Social e Desenvolvimento de Recursos será responsável pela formação, liderança e capacitação de equipe, estabelecimento de planos e cumprimento de metas de captação de fundos da organização em âmbito nacional e internacional junto a indivíduos, empresas, fundações, agências multilaterais e bilaterais, organizações governamentais e não-governamentais. Para o cargo é necessário ter formação superior completa nas Áreas de Ciências Sociais e Humanas, preferencialmente em Comunicação, Publicidade, Marketing ou Relações Internacionais, com especialização em Terceiro Sector, Responsabilidade Social ou áreas afins.
É importante que o candidato saiba elaborar projetos sociais e negociar propostas com doadores, bem como elaborar planos estratégicos de Desenvolvimento de Recursos e ter experiência superior a cinco anos na área, com êxitos comprovados com o seguimento corporativo e que conheça a sistemática da gestão de fundos e subsídios públicos. Fluência em Português, Inglês e Espanhol e o domínio dos programas Excel e Word e saber usar a internet também são requeridos. Outros diferenciais são dinamismo, flexibilidade, boa capacidade de comunicação, articulação, habilidade para trabalhar em equipe e afinidade com as metodologias de trabalho e o perfil das organizações e dos movimentos sociais.
É necessário ainda que o candidato tenha disponibilidade para viagens nacionais e internacionais. Organização: Habitat Para a Humanidade Brasil Carga_Horaria: 40 horas semanais Remuneração: R$ 5.000,00 Contato: Antonio José da Silva E-mail: ADaSilva@habitat.org

“A Sustentabilidade não é Sexy”

No dia 4 de Abril, a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento e a revista Im))pactus organizaram a II Conferência Anual da Im))pactus sob o tema «Comunicar a Gestão através dos Relatórios e Contas e de Sustentabilidade». No debate sobre “Como lêem os jornalistas a sustentabilidade na informação financeira da empresa?”, no meio de considerações sobre a credibilidade dos relatórios de sustentabilidade, se correspondem à realidade da empresa e se são ou não usados para «branquear» a imagem das empresas, quando toda a tónica estava na honestidade deste actor, houve uma jornalista que, com graça e alguma audácia, usou uma expressão que deve fazer escola: “a sustentabilidade não é sexy”.
Para os periódicos, o que é sexy são buracos orçamentais, falências, poluições ambientais em grande escala... “A sustentabilidade não conquista o interesse por parte dos media, porque os media estão convencidos que isso não conquista as audiências”. Então e os media não têm de ter responsabilidade social?! Não têm de apresentar também o que de bom se faz, assim como o que de mau se faz? E mais: não são eles também empresas? E os seus relatórios de sustentabilidade? Que boas práticas têm em relação ao ambiente, aos funcionários e à sociedade?
Sem nunca ter sido, juro-vos, defensora das empresas, dei por mim a pensar porque é que toda a tónica estava daquele lado. Porque é que as empresas têm tudo a provar e os outros nada? Porque as empresas dependem da aceitação do mercado e para os jornais, a aceitação faz-se através da nivelação por baixo? Mesmo na imprensa económica (a que estava presente)? Então (e correndo o risco de parecer ingénua) por mais que se façam as coisas bem feitas só vamos ouvir falar do que está mal? Enegrece-se a realidade porque isso é o que vende?
Nada disto é novo para nós, mas quando se fala na responsabilidade social dos outros e se está na posição de julgar, há que ver os nossos telhados de vidro... Talvez fosse uma boa acção de responsabilidade social haver quem se ocupe de mudar o jornalismo tal como se faz. E isso passa também por educar o consumidor final no sentido de optar por um consumo responsável- é ele o principal agente de mudança para uma sociedade mais sustentável- a todos os níveis.

terça-feira, abril 25, 2006

O Estado da Arte da Responsabilidade Social em debate

A APEE, Associação Portuguesa de Ética Empresarial e a AIP- Associação Industrial Portuguesa irão promover a Semana da Responsabilidade Social, de 15 a 19 de Maio de 2006, no Centro de Congressos da AIP, Junqueira, em Lisboa.

Dos vários eventos a decorrer destacam-se o Encontro Intenacional, no dia 16, onde serão apresentadas experiências em normalização nacional de países como a Inglaterra, impacto da normalização, metodologias de diálogo com stakeholders, riscos e oportunidades da Responsabilidade Social e tendências futuras neste domínio.
Nos dias 15, 17 e 18 decorrerão workshops organizados pelos vários stakeholders: indústria, ONG's, sindicatos, Consumo, Governo e Serviços, suporte e investigação e outros. A workshop dedicada às ONG's decorrerá na tarde do dia 18 de Maio.

segunda-feira, abril 10, 2006

Conversa com Fernanda Polacow

Fernanda Polacow é socióloga e formada em Comunicação Social. Residindo actualmente entre Londres, Lisboa e São Paulo, trabalha na coordenação do departamento de Comunicação de uma ONG portuguesa em regime de tele-trabalho. Brasileira, paulista, tem aprofundado o tema da Responsabilidade Social das Empresas e colaborado com a revista Impactus, em Portugal e Ethical Corporation, em Londres.

De passagem por Lisboa, cedeu-me tempo para uma conversa que permitiu clarificar algumas questões. “A Responsabilidade Social é das empresas. Há muita confusão nos conceitos. É um movimento voluntário das empresas que abarca uma realidade muito ampla e da qual só uma pequena porção diz respeito às ONG.” Portugal tem estado ausente deste movimento até há poucos anos. De repente, quando ele surge, todos querem ser socialmente responsáveis, sem parar para debater o conceito (“think the concept through”) e perceber o seu significado. Todos o usam como lhes convém.... o que dá azo a más interpretações e, pior, más execuções do conceito. Saltam-se etapas e isso pode prejudicar mais do que beneficiar os actores.

Em relação às ONG, “elas podem e devem ter estratégias de captação de recursos, mas não têm Responsabilidade Social porque esta é das empresas. Podem ter estratégias de captação de fundos através da Responsabilidade Social das Empresas, mas isso é diferente. Hoje em dia, é fundamental que as ONG se eduquem sobre o que é responsabilidade social e o que isso muda na realidade das empresas. Uma melhor compreensão do universo empresarial é importante para aproximar o diálogo entre empresas e ONG e facilitar a união de esforços entre estes dois actores” diz, avançando que já o tem feito com o argumento de que a RSE tem a grande mais valia de agir para a melhoria da sociedade e do mundo.“É uma coisa boa.”

4º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado

Para traduzir o que significa na prática o conceito de sociedade sustentável e avançar na busca de soluções para a sua construção, o 4º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado propõe uma programação que equilibra conceitos e práticas envolvendo o primeiro, segundo e terceiro setores .
Segundo Fernando Rossetti, secretário geral do GIFE, o tema do Congresso abrange todas as questões-chave que não apenas o Brasil, mas o mundo todo enfrenta hoje. “A principal questão é que a sociedade como está é insustentável, pela escassez de recursos naturais, pela concentração de renda e as conseqüentes desigualdades causadas por ela”, explica.
Esse panorama não poderá ser modificado, na visão de Rossetti, sem algum nível de alinhamento entre o primeiro, segundo e terceiro setor. Isto é, sem a promoção de alianças estratégicas intersectoriais, em que governos, iniciativa privada e sociedade civil organizada trabalhem em conjunto para amenizar os problemas sociais, ambientais e económicos.
Por outro lado, também é importante que a união dos três sectores esteja focada em ações multisectoriais . “Não se trata mais apenas de uma questão de desenvolvimento económico, meio ambiente ou educação. Todas essas questões devem ser consideradas. E essa é a complexidade que envolve a construção de uma sociedade sustentável”, explica Rossetti.
Paralelamente ao Congresso, o GIFE disponibilizará Oficinas de Gestão compactas, que oferecem instrumentos e ferramentas gerenciais em atividades do terceiro sector. Com inscrição à parte e conteúdo mais básico, as oficinas compreenderão os temas: Comunicação para Organizações da Sociedade Civil , Cenário Social e Legislação Para o Terceiro Sector e Sustentabilidade e Captação de Recursos .
“Este será um evento único: o Congresso GIFE tratando de assuntos da mais alta relevância na agenda social, e com abordagens e participantes dos mais importantes no país e no mundo; e a Mostra do CAV, demonstrando a força da mobilização da sociedade civil em todas as esferas da filantropia e do protagonismo social, o que ilustra e testemunha o valor deste debate” afirma Luiz Fernando Garcia, da Pulsar, consultoria que está promovendo a coordenação executiva do evento.
De 1 de março a 30 de abril, o desconto é de 15%. Nesse período, associados GIFE investirão R$ 495,00, profissionais de organizações sem fins lucrativos, R$ 605,00, e demais interessados - R$ 880,00.

Sustentabilidade e Captação de Recursos
A aula abordará definição de metas e necessidades de arrecadação; os diversos potenciais doadores entre empresas e indivíduos; as estratégias para abordar e negociar; como fidelizar os doadores; e quais os recursos necessários para montar uma acção de captação.
Instrutora: Cristina Murachco - presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e consultora de organizações sem fins lucrativos nas áreas de planeamento e desenvolvimento institucional. Também foi diretora do Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey, assessora de relações empresariais do Instituto Ethos e assessora de desenvolvimento institucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Comunicação para Organizações da Sociedade Civil
Pela essencialidade da comunicação no mundo contemporâneo, comunicar bem é vital para qualquer tipo de instituição - pública, privada ou do terceiro sector. Nas organizações do terceiro sector a comunicação ganha ainda maior importância porque a captação de recursos financeiros e humanos - fundamental para sua sustentabilidade financeira ou institucional - é favorecida pela visibilidade e credibilidade de suas acções, o que também está relacionado à sua capacidade de se comunicar bem. Nesta aula serão apresentadas estratégias de comunicação na área social.

Instrutora: Anna Penido - formada em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização em Direitos Humanos (Columbia University, EUA), Gestão Social e Comunicação para o Mercado, Anna é fundadora e diretora da ONG Cipó - Comunicação Interativa, fellow da Ashoka Empreendedores Sociais e líder Avina.

Cenário Social e Legislação Para o Terceiro Sector
O objetivo desta aula é ampliar a visão sobre o processo de desenvolvimento histórico do Brasil e o envolvimento e a participação da sociedade civil neste processo e, principalmente, disponibilizar as principais bases legais que regulamentam as organizações do terceiro sector.
Instrutor: Eduardo Szazi - advogado, consultor jurídico do GIFE e autor do livro Terceiro Setor - Regulação no Brasil (GIFE e Editora Peirópolis). Foi integrante do Grupo de Trabalho de Reforma do Marco Legal do Terceiro Setor na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

A inscrição para participação no Congresso não dá direito a participação nas oficinas de gestão.
Participação em 1 (uma) das oficinas: R$ 60,00Participação em 2 (duas) oficinas: R$ 110,00Participação em 3 (três) oficinas: R$ 150,00

Petrobras é o novo parceiro do AfroReggae

Foto: Makala Música e Dança, em foto feita para a exposição AfroReggae 13 anos. Por João de Orleans e Bragança.

A Petrobras e o Grupo Cultural AfroReggae assinaram contrato de parceria pelo qual a empresa se compromete a patrocinar, durante um ano, todos os subgrupos sediados em Vigário Geral.
O trabalho a ser desenvolvido engloba a formação de aprendizes e criação de grupos artísticos, chamados de subgrupos. A proposta de patrocínio refere-se justamente ao apoio a esses subgrupos sediados em Vigário Geral, que são:
1 - Makala Música & Dança - Formado por jovens de Vigário Geral, traz elementos das raízes africanas, representadas no som dos tambores e nas coreografias.
2 - Banda Afro Lata - Este subgrupo vem da área mais desprovida de Vigário Geral, conhecida como Brasília. Por causa da falta de instrumentos convencionais de percussão, começaram a tocar com pedaços de cabo de vassoura, latões de óleo, tonéis e baldes de plástico, transformando o lixo em instrumentos musicais que expressam o funk, música afro e axé.
3 - Afro Mangue - Oriunda da mesma região do Afro Lata, esta banda também toca com instrumentos não convencionais, como latas e galões, com a diferença que seus integrantes tem a faixa etária menor.
4 - Tribo Negra – A banda surgiu nas oficinas de percussão e traz uma mistura forte baseada no funk, no samba reggae e outros ritmos.
5 - Kitôto - É uma banda de reggae formada por jovens da comunidade com repertório de músicos como Gilberto Gil, Cidade Negra e ainda conta com composições próprias.
6 - Afro Samba - O grupo se dedica a tocar o melhor do samba, tanto o mais ligado às antigas rodas quanto ao mais atual, além de composições próprias.
7 - Párvati- Composta por meninas adolescentes de Vigário Geral. A banda ainda está em fase de formação, tanto em relação aos componentes como no que se refere à capacidade musical, cuja tendência mais forte é o rock´n roll.
8 - Trupe de Teatro AfroReggae - Esse subgrupo surgiu para tratar questões sobre saúde de forma lúdica, simples e objetiva. Formado por adolescentes de Vigário Geral, a Trupe reciclou-se inteiramente e hoje é uma autêntica manifestação cênica dentro da comunidade.
Texto: Chico JúniorTratamento da Foto e Atualização do Site: Bruno Morais

domingo, abril 09, 2006

Como Captar Recursos para o Grupo Cultural AfroReggae

O Departamento de Parcerias Institucionais foi criado a partir do Projecto “Fortalecendo as Bases” com financiamento da Fundação AVINA. Para compôr a equipa do projecto foi convidado Celso Schvartzer que assumiu a coordenação do departamento em parceria com João Madeira. Alice Freitas foi contratada como assessora para executar as actividades planeadas pela equipa. Ao princípio, o departamento foi pensado para captar recursos para o GCAR, porém, logo no início das atividades, ficou claro que a missão do departamento não seria apenas uma mera captação. Para aumentar as possibilidades de obtenção de novos financiamentos, para que as parcerias institucionais fossem ampliadas e fortalecidas e consequentemente gerassem mais receitas para a instituição, vimos que seriam necessárias outras actividades para que o nosso desempenho fosse eficiente e eficaz.
Desta forma, elegemos como o objectivo geral de nosso departamento: “Desenvolver parcerias com entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, com a causa social do AfroReggae, através de planos e projetos que visem a sustentabilidade (financeira e de resultados) da instituição”. Para alcançá-lo desenvolvemos 4 objectivos específicos, que guiam o dia a dia de nossas acções:
A) Captação de Recursos– através da participação em concursos de projectos de empresas privadas ou instituições de financiamento; projectos especiais; produtos de merchandising e de parcerias com empresas privadas (licenciamento de marcas e marketing relacionado a causa);
B) Planeamento de Gestão– Elaboração de um planeamento estratégico para 2005 com a coordenação do GCAR e colaborar para a capacitação sobre métodos de gestão de colaboradores do GCAR.
C) Potencialização do uso da marca– através de projectos de merchandising, licenciamento da marca, entre outros.
D) Avaliação e Monitorização– Criar e implementar metodologia de avaliação e monitorização para projectos institucionais. Com base num plano de acções as actividades são monitorizadas e redireccionadas, na medida do necessário, no intuito de alcançar os resultados previstos. O plano de acções é revisto a cada quinze dias.
Para ver as organizações parceiras: http://www.afroreggae.org.br/sec_logomarcas.php

Uma inspiração -e uma força- para as associações de descendentes de imigrantes


José Junior fundou há 13 anos o Grupo Cultural Afro Reggae (GCAR), que se desdobrou nos Núcleos Comunitários de Cultura, nos quais se desenvolvem actividades socioculturais, recreativas e educativas para ampliar o espaço de intervenção social de jovens negros residentes em comunidades desfavorecidas. O objectivo básico destes núcleos é resgatar valores culturais e contribuir para uma efectiva afirmação dos jovens, rompendo preconceitos ao utilizar meios de comunicação acessíveis a jovens de classes média e alta e transformando música e cultura em instrumentos de luta contra a discriminação social.
Depois de abrir o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro RJ, o Grupo Cultural Afro Reggae iniciou uma excursão pela Inglaterra, em mais uma importante etapa da sua missão de utilizar a música e a cultura como armas na luta contra a discriminação social. A excursão, denominada “Nenhum motivo explica a guerra”, inclui espetáculos em Londres, Oxford e Manchester. O grupo criado pelo empreendedor social da Ashoka José Pereira de Oliveira Junior teve a primeira crítica publicada na imprensa britânica, o jornal Evening Standard que qualificou o espectáculo de “empolgante” e acrescentou: “O Afro Reggae não é só uma banda, é uma força.”
Além dos espetáculos, a excursão do grupo de José Junior inclui oficinas de percussão, teatro, circo e grafitte em escolas que abrigam jovens moradores de áreas pobres e que têm entre os seus alunos, imigrantes e jovens ligados à criminalidade e ao tráfico de drogas. Outra função dos núcleos de cultura é criar alternativas educacionais e profissionalizantes, dentro da perspectiva da promoção da cidadania dos jovens das favelas. Um dos maiores indicadores do sucesso da iniciativa de José Júnior é o fato de Vigário Geral ter deixado de ser conhecida como a favela mais violenta do Brasil para se tornar um dos mais importantes pólos de produção sociocultural do Rio de Janeiro. Maiores informações sobre o trabalho do Afro Reggae e sobre a excursão do grupo em Inglaterra no site www.afroreggae.org.br.

sábado, abril 08, 2006

Prémio Empreendedor Social Ashoka – McKinsey

A Ashoka Empreendedores Sociais – organização internacional da sociedade civil - e a McKinsey & Company - consultoria internacional em alta gestão empresarial – estão com inscrições abertas até o dia 28 de abril para a quinta edição do Prémio Empreendedor Social Ashoka-McKinsey. Este ano, pela primeira vez, o Prémio acontece simultaneamente em 6 países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai. Todos os concursos terão vencedores locais.

“O Prémio Empreendedor Social Ashoka – McKinsey é um concurso que identifica, capacita e apoia organizações da sociedade civil a planear e implementar profissionalmente suas ideias, aliando sustentabilidade, geração de recursos e impacto social. Além disso, o Premio visa estimular a mobilização de recursos locais por parte das organizações da sociedade civil e contribuir para a ampliação de sua base cidadã”, afirma Ane Ramos, Coordenadora do Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka – McKinsey.

No Brasil, desde a sua criação em 2000, o Prémio Empreendedor Social Ashoka-McKinsey já recebeu 1058 inscrições e contou com a participação de 295 organizações da sociedade civil, além da colaboração voluntária de mais de 100 profissionais da McKinsey. Nesta quinta edição, o Prémio conta com a parceria da Fundação Artemísia, Fundação Avina, Mirando al Futuro Save the Children Suecia, Natura Cosméticos e Oxfam e o apoio de Hill & Knowlton. “É extremamente rico ver uma ferramenta própria do sector privado ser adoptada e aplicada no sector social. Acho que isso é um desafio para todos os envolvidos e um ganho para McKinsey, pois é uma experiência que – fora deste contexto – não teríamos a oportunidade de viver”, afirma Andréa Waslander, Gerente de Serviços de Pesquisa e Informação da McKinsey.

No Brasil, o concurso terá duração de nove meses e as equipes participantes serão formadas por dois representantes de cada uma das 20 organizações da sociedade civil seleccionadas na etapa preliminar. Todas as equipes participarão em formações como forma de adquirir ferramentas e aprendizagens no desenvolvimento de planos de negócio com o apoio de profissionais da McKinsey. No final do concurso, todas organizações participantes terão um plano de negócio pronto para ser implementado e apresentado a potenciais financiadores. As três equipes vencedoras também recebem prémios em dinheiro para implementar o negócio. Todos os ganhadores dos concursos realizados na América Latina terão a oportunidade de participar de um Círculo de Aprendizagem Regional para compartilhar as suas experiências e procurar sinergias nas suas acções. O resultado deste intercâmbio será difundido através de publicações e eventos regionais. O concurso é aberto para todas as organizações e associações da sociedade civil sem fins lucrativos e cooperativas que tenham sede no Brasil.

As organizações que já participaram do Prémio podem voltar a concorrer desde que se apresentem com novas ideias de planos de negócio. As inscrições serão abertas na quinta-feira, dia 09 de março e devem ser feitas pelo site http://www.empreendedorsocial.org.br/main.htm. O prazo de inscrição termina no dia 28 de abril.

O Depoimento da Associação Lua Nova
No ano passado, a organização vencedora do Prêmio Empreendedor Social foi a Associação Lua Nova com o plano de negócio: Empreiteira Escola. A ideia é uma alternativa de sustentabilidade para a Associação Lua Nova - entidade que apoia jovens mães solteiras - e ao mesmo tempo um caminho que demonstra o quanto pode ser viável capacitar e acompanhar um grupo de jovens mães na construção de suas próprias casas. Com o plano de negócio elaborado e finalizado no Prémio, a Lua Nova estabeleceu uma parceria com a Faculdade de Engenharia de Sorocaba. Além desta, empresas da região como Minercal, Metso e Alcoa, identificaram na construção civil um elemento de convergência com o seu negócio e nas mulheres um público potencial importante para investimento e actuação. A união com estas empresas que, além de recursos económicos, ofereceram matéria-prima, articulações, recursos técnicos e infra-estrutura, potencializou a proposta da Empreiteira Escola culminando na negociação de uma parceria com a Petrobrás. Esta por sua vez, apostou na capacitação profissional das jovens investindo na sua formação e contribuindo para reverter um quadro que hoje é o foco de inúmeras problemáticas e injustiças sociais. Esta é a nova revolução que Raquel Barros, empreendedora social da Associação Lua Nova e vencedora do Prémio Empreendedor Social Ashoka-McKinsey 2004-2005, está criando para possibilitar que jovens mães e seus bebês possam começar uma nova vida em sua própria casa.

Para mais informações entre em contacto directamente com a organização do prémio ou com a assessoria de imprensa. Maure Pessanha Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka McKinsey (11) 5189-1461 Assessoria de Imprensa: Hill&Knowlton – Sheila Magri (11) 5503-2873

sexta-feira, abril 07, 2006

Resultado Programa EDP Solidária prestes a sair

A Fundação EDP irá divulgar durante a próxima semana os resultados do Programa EDP Solidária 2005. As candidaturas entregues até final de Novembro foram apreciadas e será agora comunicado por carta aos concorrentes o resultado, assim como divulgado na comunicação social. Lembramos que está em causa um fundo de 350.000€ para apoiar um máximo de quatro projectos na área da exclusão social. Aguardaremos então por saber quem são os felizes contemplados.

quarta-feira, abril 05, 2006

Apoio da EDP ao desenvolvimento social

Sendo a EDP uma das poucas empresas certificadas na área da Responsabilidade Social em Portugal, pareceu-me interessante apresentar um resumo do que consideram ser o Apoio ao Desenvolvimento Social apresentado seu Caderno de Sustentabilidade 2004 (o último a sair). A vertente social, menos abrangida no apoio mecenático da empresa teve um esforço de alargamento que já representou 5% dos patrocínios em 2004 (com o lançamento da iniciativa EDP Solidária 04). Para 2005 um dos objectivos no apoio ao desenvolvimento social constantes no relatório parece ser a duplicação do valor destinado ao apoio a iniciativas de carácter social e a manutenção do Programa EDP Solidária, que visa apoiar a melhoria da qualidade de vida de pessoas socialmente desfavorecidas e a integração de comunidades em risco de exclusão social. Segundo o regulamento, o Programa, com um orçamento de 350.000€, pode apoiar um máximo de quatro projectos, seleccionados por um júri de personalidades na área da cidadania, saúde e solidariedade social.

A nível internacional, há muito a aprender no Brasil, onde a responsabilidade social das empresas está mais desenvolvida. Empresas do grupo EDP, como a Bandeirante e a Escelsa têem-se destacado na comunidade com a atribuição de prémios em projectos de combate à fome no Brasil, na promoção da saúde, protecção do ambiente e prevenção de acidentes junto dos mais novos.

A Bandeirante foi apontada como exemplo de empresa socialmente responsável (pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social) em 2003 em resultado do programa de combate à fome desenvolvido em 2002. Em 2004 recebeu o prémio Top Social atribuído pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil com o projecto Bandeirante Comunidade Educação, no qual se entregaram nas escolas 21000 kits em campanhas de promoção da saúde e protecção do ambiente.

Também a Escelsa foi reconhecida na área da responsabilidade social em 2003 com o prémio da Fundação COGE (Comité de Gestão Empresarial) ao promover acções de formação de crianças e adolescentes orientadas para a protecção do ambiente e a prevenção de acidentes, através do Projecto ACES- Acção Comunitária do Espírito Santo e do Programa Adolescentes e Estagiários.

A Enersul implementou em 2004 o projecto “Enersul na Comunidade” que contempla a realização de eventos em 16 bairros degradados da Cidade de Espírito Santo, onde se promovem práticas de combate ao desperdício de energia e de adequação do valor das contas de energia ao poder de compra dos seus clientes.

Para além disso, o caderno de sustentabilidade faz ainda referência a duas Fundações:

A Fundação EDP, constituída a 13 Dezembro 2004, desenvolve a sua actividade em 3 áreas distintas:
Cultura- arte, música e bailado;
Desenvolvimento social- solidariedade com os mais desfavorecidos e desprotegidos, como são os cidadãos com deficiência e iniciativas de apoio às comunidades locais;
Educação-requalificação do Museu da Electricidade

A Fundação HidroCantábrico, existente desde1996, apoia o ensino, ambiente, desporto e cultura. Em 2004 destacam-se:
- Recuperação do salmão nos rios asturianos e protecção do urso das Astúrias;
- Iluminação de património com especial interesse histórico e recuperação patrimonial de elementos de interesse cultural;
- Colaboração com organizações não governamentais que desenvolvem actividades na área social, como a Cruz Vermelha e a Cáritas.

terça-feira, abril 04, 2006

Responsabilidade Social das Organizações e ONG

Hoje em dia assistimos a uma mudança na cultura corporativa que se afirma cada vez mais. Conceitos como responsabilidade social das empresas, desenvolvimento sustentável, marketing sustentável saltaram quase de um dia para o outro para o léxico comum das empresas, dos jornais e da sociedade em geral, muitas vezes sem que haja grande consenso em relação ao significado de tais palavras.

Com uma tal mudança, muitas vezes há quem se interrogue em relação às reais intenções de quem de repente se apresenta com tão boa vontade. Em relação à intervenção social externa (uma das dimensões da responsabilidade social das empresas) pode-se ouvir de um modo mais elaborado, que as empresas só o fazem para manter o status quo ou, com uma linguagem mais corrente, porque pensam que podem ganhar mais dinheiro com isso.

No entanto, enquanto esta for a mentalidade dominante, perde-se o que é a verdadeira questão: é claro que ninguém, empresas, organizações ou particulares age de que modo for se pensar que perde dinheiro sem um correspondente aumento de valor. No entanto, o argumento que deveria ser usado pelas organizações (ONG, etc) para propôr às empresas apoio para os seus projectos –fazê-los perceber que podem ganhar com isso- é, ao invés, usado para desconfiar das suas intenções quando são elas as primeiras a compreender que há potencial de ganhos para ambas as partes.


Sair da mentalidade tradicional
As organizações sem fins lucrativos deviam ser as primeiras a incorporar, promover e incentivar esta mudança de cultura. A forçar este mercado, se ele não estiver tão aberto como faz parecer. Mas também a pensar na comunicação dos seus projectos, na transparência da sua contabilidade, na parceria de continuidade que implica fazer uma empresa apostar no seu projecto e poder ter que lhe explicar o que foi feito com o investimento obtido.

Acontece que a cultura que predomina nestas organizações, mesmo quando recebem donativos, é que não têm que dar explicações às empresas. E assim estas não podem avaliar se o seu investimento foi bem usado e se devem continuar por ali.

Depois há os preconceitos de estar a «comprometer»- leia-se vender, os seus princípios. Em países como o Brasil, com Estados mais fracos, esta cultura de parceria está muito mais desenvolvida. Por cá, para além de ser muitas vezes consensual que “o Estado tem de apoiar”, mesmo que se veja que até os serviços essenciais estão à míngua, vivemos duas décadas «à sombra» de fundos comunitários que reforçaram esta mentalidade. E agora que há outros países a desviar os fundos de coesão estrutural por parte da União Europeia e que se entende que Portugal já terá recebido o bastante para o seu desenvolvimento estar em curso, para onde nos viramos?

É claro que pode haver situações que oponham empresa e organização sem fins lucrativos. Ou que façam com que a segunda entenda que faz parte do seu papel questionar o seu apoiante. Aqui é evidente que ambos os actores devem manter a sua integridade e independência. O mais difícil é o apoiado equacionar o dilema entre perverter (mesmo que ligeiramente) os seus princípios ou deixar de contar com um apoio que pode ser estrutural para a sua existência. É uma prova de integridade que não está ao alcance de todos, mas ninguém disse que a vida do 3º sector é fácil...

A APSI, Associação para a Promoção da Segurança Infantil, IPSS, Associação de famílias e Entidade de utilidade pública, desde sempre contou com o apoio de empresas. Esse aspecto de angariação do apoio privado já estava na sua génese. Quando iniciou campanhas de promoção de segurança rodoviária infantil e descobriu material falsificado num fabricante de renome que anualmente lhe atribuía quantias consideráveis, não pôde continuar ao seu lado. Paciência...

Guess what? A responsabilidade social é para todos...
O sector não lucrativo tem a ingrata missão de coordenar lógicas se não antagónicas, pelo menos de áreas diferentes. «Gerir o social» sem deixar de parte nenhuma das duas vertentes. Não se pode pensar só nos destinatários da actividade sem precaver a continuidade do trabalho que se desenvolve.
No entanto a capacidade de adaptação é grande. Quando surgiram os fundos comunitários, teve de existir uma aprendizagem e reestruturação dos modos de fazer habituais para poder compreender a lógica das candidaturas para os projectos. Não será muito diferente o que se propõe na óptica da responsabilidade social das empresas.

Nos fundos comunitários, as organizações tinham que dar conta das despesas e da forma como decorriam os planos previamente enviados a aprovação. É natural que se os recursos forem provinientes de empresas esses procedimentos também estejam presentes.

No fundo, as entidades sem fins lucrativos também têm de ser socialmente responsáveis e transparentes (e nem todas o são, acreditem). Já o sabiam no que se relacionava com a União Europeia. Só que a verificação agora corre o risco de ser muito maior e mais próxima. E depois? Se essa for a via para a continuidade da sua intervenção?

Por isso, associações, IPSS, ONG e todos os que giram num mundo sem fins lucrativos, deveriam equacionar na sua atitude a existência de eventuais preconceitos datados, «de esquerda» -perceber, já agora, que apesar da expressão não há nada que as impeça de ter lucro desde que seja reinvestido na organização (em vez de distribuído como acontece nas sociedades)- e ponderar este mercado que está receptivo e com o qual os que têm mais a ganhar são aqueles que beneficiam das suas intervenções e a sociedade como um todo.

Textos sobre "Stakeholder & NGO Engagement"

http://www.ethicalcorp.com/content_list.asp?m=toi&toi=77

segunda-feira, abril 03, 2006

Conferências sobre parcerias entre empresas e 3º sector

A questão da captação de fundos para o sector não lucrativo atavés da responsabilidade social das empresas tem como palavra chave as parcerias. Como criá-las, como tirar delas o melhor partido para ambas as partes, como mantê-las... Nesse sentido a Ethical Corporation http://www.ethicalcorp.com/ tem desenvolvido conferências nos últimos meses em Londres e NY, numa perspectiva de debate, apresentação de boas práticas e reflexão para organizações sem fins lucrativos e empresas.

Business-NGO Partnerships Conference 2006
9-10 May, Woodcliff Lake, New Jersey
This conference will focus on the nuts and bolts of partnering and how to effectively communicate and market your partnership.
With many now demanding more accountability from both sides on how relationships are evolving and offering value, the conference will look at how the results of such partnerships are measured, and how the process is best managed for optimum results.
Contact Caroline Estimé at +44 (0)20 7375 7195 or email caroline.estime@ethicalcorp.comWebsite: http://www.ethicalcorp.com/nycpartnership/

adets- Assessoria e Desenvolvimento para a Excelência do Terceiro Sector

A área da Responsabilidade Social das Empresas (ou Corporate Social Responsibility), na sua vertente social, a nível externo, cria uma oportunidade para as entidades sem fins lucrativos, os que agem no terreno, os que conhecem os problemas sociais, ambientais ou outros poderem colocar esse know-how à disposição das empresas. Podem tentar captá-las para as suas causas. E devem.

A adets (www.adets.com.br) funciona em S. Paulo. No seu site encontramos diversas formações no sentido de fornecer ao 3º sector instrumentos para melhorar a sua performance.

Gestão do Terceiro Sector- Melhores Práticas para as Organizações, com conteúdos acerca de Incentivos fiscais para doações, Como elaborar e avaliar projectos, Captação de recursos: o oxigénio da instituição, Ética e publicidade- uma questão de eficiência, Contabilidade para organizações do terceiro sector, Responsabilidade social corporativa- uma visão de sucesso e Casos de sucesso de Organizações.

Melhores Práticas de Gestão para as Organizações do Terceiro Sector, curso de dois dias, com vários agendamentos para os próximos meses inclui no seu programa, entre outros, os seguintes tópicos: Administrando um sector sem fins lucrativos, Gestão de pessoas- Empowerment, Voluntariado e sua administração, Como organizar um processo de planeamento estratégico, Ferramentas da qualidade para as organizações da sociedade civil e a prática dos 5 S's, Captação de recursos para as organizações sociais, Fontes de financiamento e orientações específicas, Manual para a criação de ONG.

A adets pode ainda deslocar-se com este e outros cursos que lhes sejam solicitados por parte das organizações. Outros cursos disponíveis no site são Contabilidade para organizações do terceiro sector e Comunicação e marketing para organizações do terceiro sector.